A cada dez anos, realiza-se no Continente e nas regiões Autónomas dos Açores e da Madeira o Recenseamento Agrícola, que consiste num inquérito, de carácter obrigatório, face ao Regulamento da União Europeia 2018/1091 do Parlamento Europeu do Conselho.

O Recenseamento Agrícola de 2019, objeto de uma resolução específica do Conselho de Ministros (RCM n.º 40/2018), teve início no passado dia 25 de outubro e irá decorrer até maio de 2020, e visa responder a questões tão importantes como “Quantas explorações agrícolas existem, que superfície e quantas parcelas possuem? Quem trabalha na agricultura? Como se distribuem as culturas e os efetivos pecuários? Como se produz e qual o nível de mecanização da agricultura? Onde e como se rega? Que métodos de produção são usados e qual a disseminação de culturas inovadoras?”.

Esta operação mobilizará cerca de 1 650 pessoas entre entrevistadores, técnicos superiores contratados e colaboradores permanentes do INE e terá uma infraestrutura descentralizada distribuída por 42 centros de análise, a nível nacional.

Numa entrevista direta, os entrevistadores conduzem o questionário em papel, cujos dados irão, posteriormente, ser registados e validados no aplicativo informático para suporte ao sistema de inquéritos agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (SAGR), entidade responsável pela recolha e tratamento da informação, sendo os resultados reportados à Comissão Europeia conforme o regulamento da União Europeia aplicável.

Este recenseamento, imprescindível para a tomada de decisões de diferentes âmbitos como sejam os das políticas económicas, regionais, sociais e até empresariais, contribui de forma decisiva para a caracterização da agricultura do país, das estruturas de produção, da população rural e dos modos de produção agrícola. Assume-se, também, como a única fonte de informação agrícola exaustiva, dado que recolhe dados sobre todas as explorações agrícolas, permitindo obter resultados a níveis geográficos muito detalhados.

No último recenseamento, realizado há dez anos, foram apuradas 305 mil explorações com uma área total que representava 51% da superfície geográfica do país. A população agrícola familiar correspondia a 793 mil pessoas. Nas culturas permanentes, o olival e a vinha representavam quase 3/4 do total.

Para o sucesso desta operação, que é aliás, a segunda operação estatística de maior dimensão em Portugal, é fundamental a colaboração de todos os agricultores, a quem o INE, desde já, agradece.

Ressalva-se também a garantia de que a recolha de dados, em entrevista presencial, por um entrevistador credenciado para o efeito, será feita após contato e agendamento prévio com cada agricultor, sendo que a informação individual prestada pelos agricultores é confidencial, destinando-se exclusivamente a fins estatísticos, não podendo ser divulgada nem utilizada com outra finalidade.