A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou a nova edição do seu relatório anual “The State of Food and Agriculture” – “O Estado da Alimentação e da Agricultura no Mundo”.

Este relatório analisa as áreas estrutural e rural, evidenciando como uma abordagem de planeamento "agroterritorial", focada em conectar as cidades e seus arredores rurais o que, juntamente com o desenvolvimento agroindustrial, pode promover os sistemas alimentares para impulsionar o desenvolvimento rural inclusivo.

Desde a sua primeira publicação, em 1947, que este relatório revela que a evolução na agricultura, nomeadamente na produção de alimentos e o reforço da segurança alimentar mundial trouxeram prosperidade para grande parte da população em todo o mundo.

A realidade é que no meio da abundância, biliões de pessoas enfrentam fome penetrante, pobreza, desemprego, degradação ambiental, doenças e privação, fazendo do Desenvolvimento Sustentável um dos maiores desafios enfrentados pela humanidade. Para acabar com a fome e pobreza é necessário que existam transformações e estratégias que estimulem o sistema alimentar para aumentar crescimento económico em países onde a industrialização está atrasada, sendo que a solução passa por fazer agricultura e alimentos em sistemas sustentáveis, o que implica a redefinição de prioridades numa frente mais ampla.

Tem sido evidente que a transformação e desenvolvimento rural inclusivos assentes em três pilares essenciais, designadamente o investimento em políticas públicas, o desenvolvimento da agroindústria e infraestruturas e o fortalecimento físico, económico, social e político das ligações entre pequenos centros urbanos e seus arredores, contribuem fortemente para a erradicação da pobreza mesmo em áreas urbanas.

Segundo a nova estimativa da FAO, o número de pessoas cronicamente subnutridas no mundo está em 815 milhões e de acordo com o documento, até 2030 o número de jovens entre 15 e 24 anos deve aumentar em 100 milhões. O problema é que parte dessa juventude a viver em áreas rurais decide migrar para as cidades em busca de novas oportunidades de vida. Deste modo, remetendo para o mais recente relatório publicado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), é necessário garantir meios para fixar os jovens no campo, uma vez que são eles quem contribui para as transformações inclusivas de erradicação da pobreza e da fome.

Assim sendo, ao adotar a Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável, há dois anos, a comunidade internacional comprometeu-se com a erradicação da fome e da pobreza objetivando a sustentabilidade da agricultura, a garantia de vidas saudáveis e trabalho digno para todos, a redução da desigualdade e a promoção do crescimento económico. Até 2030, data limite estabelecida, é necessária ação concertada de modo a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pretendidos.

A conclusão abrangente deste relatório é que o cumprimento da Agenda de 2030 depende crucialmente do progresso nas áreas rurais, que é onde a maioria dos pobres e subnutridos vivem. Evidências mostram que, desde a década de 1990, as transformações rurais em muitos países levaram a um aumento de mais de 750 milhões de pessoas a viver acima da linha da pobreza.